Estamos sempre a aprender

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Anónimo

A minha filha sempre foi uma menina muito calada e reservada. Tinha o seu grupo de amigas, todas vaidosas, que andavam sempre na casa umas das outras. Com elas, sentia-se bem ou pelo menos assim parecia.

Passavam muito tempo no quarto a pintarem-se e a desfilar em frente ao espelho. A minha menina teve um problema hormonal e o corpo dela mudou, ficou volumosa e não aceitava o que lhe estava a acontecer. Cortou relações com as amigas, porque se sentia um “monstro” segundo me dizia.

Deixou de comer e entrou na auto-mutilação. Eu bem que a tentava controlar, mas nem sempre era fácil. Sem marido, só me valia de mim para ganhar o sustento para a casa. Ela inevitavelmente passava muito tempo sozinha e conseguia sempre arranjar forma de se cortar, por mais que eu escondesse as tesouras, facas, lâminas… cheguei ao cúmulo de mudar tudo para coisas de plástico, mas ela lá arranjava forma de se auto-mutilar.

Quando os cortes já não eram suficientes, começou a queimar-se com pontas de cigarro que apanhava na rua. Deu entrada no hospital mais de seis vezes. No regresso a casa parava, mas depressa recaía. Com a auto-estima totalmente destruída e sem vontade de viver, tornou-se apática.

Eu não podia continuar a assistir a esta destruição. Uma amiga falou-me de um caso que viu na Televisão de uma menina que também se auto-mutilava. A minha menina foi internada quando era ainda uma jovem. Nunca vou esquecer a figura dela quando entrou.

Sete meses depois, saiu do tratamento e era outra. Seguiu tudo à risca e nunca mais recaíu. Sinto que hoje é feliz. Entrou na faculdade e arranjou um part-time. Arranjou novas amigas e já se olha ao espelho de novo. Hoje nada a deita abaixo.

O tempo de tratamento foi doloroso, mas acreditem que passaria por tudo de novo. Na clínica tornaram a minha menina numa mulher. Uma mulher com valores e objectivos e que é a minha razão de viver.

Bem-haja pelo profissionalismo!

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