Perfeccionismo mutilado

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Anónimo

Certamente serei uma das muitas pessoas a quem VillaRamadas salvou a vida e por isso mesmo não poderia deixar de escrever umas palavras a contar um pouco do inferno que passei até encontrar o equilíbrio na vida.

Só sei que por mais vezes que agradeça, as palavras nunca serão suficientes para expressar tudo o que esta clínica fez por mim e, consequentemente, pela minha família.

Lembro-me de ser uma perfeccionista desde sempre, talvez fruto da rígida educação que tive. Sempre a melhor aluna, a mais prendada e aplicada. Era todos os anos nomeada para chefe de turma, porque os meus colegas sabiam que eu faria um bom trabalho. No entanto, quando chegava a suposta hora de lazer, eu não a tinha… Quando não estava a estudar, tinha aulas de línguas, explicações, tocava piano, andava no ballet, na natação… E em tudo tinha que ser a melhor.

Só que sentia-me sozinha, sem amigos… Os anos foram passando e os meus pais queriam a todo o custo que fosse pediatra, só que não consegui entrar para medicina, apesar de ter passado noites acordada a estudar. O olhar reprovador dos meus pais, foi algo difícil de descrever. Senti-me literalmente uma “porcaria”.

Fechei-me no meu quarto e com imensa angústia comecei a cortar-me com a lâmina de barbear do meu pai. Estranhamente a dor aliviava-me…Os meus pais foram dar comigo estendida no chão a perder imenso sangue. Só que a partir daí este ritual de auto-mutilação não parou, pois sempre que me sentia frustrada, arranjava algo para me cortar.

Cheguei mesmo a estar internada por uma semana. Os meus pais andavam desesperados. Para mim, a vida já não fazia sentido. Ter que ir para enfermagem não me preenchia e a tremenda desilusão que sentia por mim própria, fazia-me cortar e cortar até não aguentar mais… Tornou-se um vício auto-mutilar-me e estive mesmo à beira da morte, quando atingi uma veia principal. Para mim morrer ou viver era igual.

Os meus pais depois de muita pesquisa encontraram em VR a solução. Eu lá acedi em ir, mas sem grandes expectativas. Só que em pouco tempo tudo mudou. Aqui encontrei muitas razões para viver. O apoio e companheirismo foram excepcionais.

Em seis meses tornei-me outra pessoa. Decidi seguir enfermagem e não é que já exerço há uns e ando encantada da vida? Por vezes, temos que aproveitar as oportunidades que a vida nos dá. Vou ficar grata pela grande lição de vida que aqui aprendi. Nunca mais tive vontade de me auto-mutilar…

Simplesmente: Obrigado por me devolverem à vida.

Hoje sou feliz!

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