A desilusão online : Villa Ramadas
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A desilusão online

Confesso que sou uma adepta da internet e que é um meio de navegação muito importante, quer por motivos profissionais, quer por motivos pessoais, porém foi também a internet que quase destruiu a vida do meu irmão.

Ele sempre foi um jovem reservado, fechado na sua "concha". Amigos nem vê-los, namoradas o mesmo. Como só tinhamos dois anos de diferença, eu incentivava-o a sair comigo e com os meus amigos. Ainda o aliciava com oferta de bilhetes de cinema e de concertos, mas ele nunca aceitava. Passava os dias entre a escola e o quarto, onde o seu grande companheiro era o computador.

Os meus pais andavam preocupados e queriam levá-lo a um psicólogo, mas ele recusava e ainda os ofendia. No entanto, não me parecia uma pessoa infeliz e sozinha. Um dia, decidi invadir a sua privacidade e tentar perceber o que tanto o entretinha na internet. Aproveitei enquanto ele foi tomar banho, que era das poucas alturas em que não trancava a porta do quarto à chave e descobri que o meu irmão tinha uma vida paralela. Estava completamente viciado na internet e em jogos online, que lhe permitiam ser uma pessoa completamente diferente. Afinal ele estava a viver "na rede" tudo o que não vivia na realidade.

Decidi criar-lhe um embuste e inscrevi-me no mesmo jogo e comecei a meter conversa com ele, sem me identificar. Depressa percebi que ele era carente, mas que sabia dar a volta às raparigas. Fazia-se passar por uma pessoa totalmente diferente, com uma profissão topo de gama e um nível de vida acima da média. Mas ele estava de tal forma viciado na internet, que se começou a recusar sair de casa. Mal se formou, não procurou trabalho e passava os dias em casa, na internet. As olheiras eram profundas, fumava perto de 3 maços de cigarros por dia e bebia cafés sem conta. A situação estava a ficar insustentável e era preciso ajudá-lo. Ele não aceitava a bem, por isso manipulei-o, deixei-o apaixonar-se por mim no jogo e depois dei-lhe uma enorme desilusão. Ele ficou devastado, dias a fio a chorar. Até que desabafou comigo e admitiu o vício na internet.

Pediu ajuda e foi na clínica que encontrou o apoio necessário. Em seis meses de tratamento ficou uma pessoa completamente diferente. Criou laços de amizade e de amor com a família. Aqui voltou a sorrir e a traçar objectivos. Hoje, a pessoa por quem ele se fazia passar na internet é quem ele é na realidade, mas se conseguiu chegar onde chegou, foi graças ao apoio que teve.

Agradeço imensamente por tudo o que ensinaram ao meu irmão e a toda a família. Sem vocês não seriamos capazes...

Carla Silves

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