Perigo virtual

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Anónimo

A internet foi das melhores invenções do século, disso não tenho dúvidas, porém deve ser utilizada com “conta, peso e medida”.

Infelizmente eu não a soube usar de forma inteligente e acabei por colocar a minha vida em risco. Confesso que na altura não me apercebi do perigo, só hoje, anos depois é que entendo que poderia já não estar aqui para dar o meu testemunho.

Espero que isto sirva de alerta aos pais dos diversos adolescentes que usam os chat rooms e os fóruns. Uma conversa que parece inofensiva, pode tornar-se numa “viagem sem volta”. Eu tinha a rebeldia típica de uma adolescente. Mal chegava a casa, em vez de ir estudar, ligava logo o computador e começava a falar com os meus amigos virtuais. Aqui sentia-me livre e longe de comentários desconfortáveis. Aqui tinha amigos para quem a minha aparência não importava. Aqui podia ser eu.

Só que nestas conversas, havia uma pessoa que se destacava. Dizia ter 18 anos, estudante, vivia com os pais, solteiro e bom rapaz. Tínhamos imensos gostos em comum, o que nos fez aproximar logo de imediato. Sentia-me tão bem a conversar com ele, que fiquei obcecada pelos momentos em que teclávamos. Chegado o fim-de-semana, era sempre uma tristeza para mim, porque ele não aparecia, dizia que ia passar os dois dias a casa dos pais e eu acreditava em tudo o que dizia.

Fazia sentido, porque eu também era filha de pais separados. Depois de poucos meses de conversa, pedi-lhe para marcar um encontro. Só que ele não acedeu. Dois meses depois voltei a insistir e ele aceitou, mediante a condição de nos encontrarmos num beco escuro. Estranhei, mas já estava tão envolvida que me deixei ir…

Foi a pior experiência da minha vida, ele apanhou-me por detrás e tapou-me a boca, agarrando-me à força. Passou a mão pelo meu corpo e só ai percebi que tinha caído numa cilada. Mandou-me contra a parede e rasgou-me a roupa. Por sorte, ia uma pessoa a passar que se apercebeu e o afugentou. Nunca vou esquecer tal situação, fiquei em choque e ainda estive uns dias internada a recuperar.

De seguida, entrei nesta clínica para tratar a minha dependência da internet. Percebi que a usava como um refúgio, com medo de enfrentar a realidade e viver a vida. Só sei que este tratamento me deu auto-confiança e hoje sinto-me fortalecida. Com esta experiência espero alertar outras jovens que se deixam deslumbrar com esta nova tecnologia…

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