Comprimidos

Anónimo

Comecei a tomar comprimidos depois da morte do meu marido.

Por sorte as minhas duas filhas já não viviam comigo, porque me tornei um vegetal. Já não saía de casa, nada me interessava. Vivo num palacete e a única razão que tenho para sair de casa, é para ir buscar mais uma receita de medicamentos.

Disseram-me que, antes de entrar em VillaRamadas, estava a tomar 36 comprimidos de todas as cores: para acordar, para comer, para me vestir, para ir à sala ver televisão e para poder dormir.

Nas visitas que as minhas filhas me faziam a casa estavam sempre com a mesma piadinha: -“Pareces uma farmácia ambulante…”

Sinto-me uma afortunada pelas minhas filhas não terem desistido de mim e terem-me levado para aquela viagem tão horrível a Portugal, VillaRamadas.

Odiei a minha estadia a maioria dos dias, mas tenho que dar a mão a palmatória. Hoje não tomo nenhum comprimido e já não me lembrava que a minha cidade era tão bonita.

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