Trabalho a quanto obrigas : Villa Ramadas
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Trabalho a quanto obrigas

Antigamente as famílias eram o mais importante e por elas se faziam os mais variados sacrifícios. Esta foi pelo menos a educação que os meus pais me deram. Talvez por terem seguido esta filosofia é que tiveram um casamento de 60 anos, até à hora da morte.

Sempre ambicionei seguir-lhes as pisadas, mas infelizmente não tive a mesma sorte. Depois de um casamento de quinze anos, do qual nasceu a minha filha Joana, veio o divórcio. Não voltei a casar, mas passava os dias fora de casa a trabalhar, porque só pensava em dar uma boa educação à Joana. O que eu não sabia era que além de estar a perder tempo útil com a minha filha, estava-lhe a passar uma educação com a qual não concordava.

Quando dei me dei conta, era tarde demais. Já ela estava a trabalhar como médica pediatra e a fazer turnos atrás de turnos, trabalhando em três locais ao mesmo tempo. Sentia-se feliz por estar perto de crianças, mas com tanta dedicação, os anos iam passando e não tinha vida social.~

Já com 32 anos teve uma conversa franca comigo e confessou sentir-se sozinha. Queria constituir a sua própria família, mas a carreira não o permitia. Um leve deslize, poderia estragar-lhe o trabalho de tantos anos.

Sempre achei que ela dramatizava, mas acabava por me convencer que dedicar-se a 100% ao trabalho era o melhor, pelo menos até o mercado de trabalho estabilizar, só que essa estabilidade tardava em surgir. Quando deu conta já estava com 38 anos e sozinha.

Sentiu que precisava de ajuda para se libertar deste vício do trabalho, porque já era mais do que tempo de pensar na sua vida pessoal. Há muito que não namorava, não saía com os amigos, não comprava roupa, não tratava dela… tudo em prol do trabalho.

Tivemos conhecimento deste centro de tratamento e entrou com uma atitude muito positiva. Foi do melhor que lhe poderia ter acontecido. Aqui aprendeu a equilibrar a vida. Foi como se tivesse renascido e sentiu que a vida lhe tinha dado mais uma oportunidade. Agarrou nela com muita força e determinação, porque já não havia tempo a perder. “Aberta” para o mundo, depressa arranjou companheiro e constituiu família.

Continua a ter uma carreira brilhante, mas também uma família maravilhosa.

Só tenho a dizer bem desta unidade de tratamento que conseguiu ajudar a minha filha a voltar a viver.

Dina, Lisboa

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