Limpezas Desenfreadas : Villa Ramadas
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Limpezas Desenfreadas

A minha mãe sempre me ensinou a ser uma rapariga muito arrumada. Sempre que chegava o sábado, acordava bem cedo para começarmos a limpeza da casa. Tinha apenas cinco anos quando este hábito começou, mas nunca mais consegui mudar.

Mesmo na adolescência, quando chegava a casa tarde à sexta-feira, já sabia que no sábado tinha que acordar para arrumar tudo com a minha mãe. Era esgotante, mas o gosto de ver tudo limpo sabia bem. O pior é que depois ficávamos as duas impossíveis e intolerantes, com quem sujasse alguma coisa.

Acabava por ser um contra-senso, porque limpávamos para receber as pessoas, mas depois se recebíamos alguém era o pânico, porque não queríamos nada sujo. Coitado do meu pai que tinha que viver com este drama, só que já sabia conviver com isto e evitava chatear-nos ao máximo.

Quando saí de casa para ir estudar fora, tive a sorte de conseguir morar sozinha, por isso a casa estava sempre impecável. Porém, o aumento da renda levou-me a ter que partilhar casa e aí o drama começou. A minha colega, era por sinal, demasiadamente desarrumada e apesar de ter o seu quarto, que estava caótico, tínhamos que dividir os espaços comuns, o que me deixava com os nervos em franja.

Assim, comecei a impôr regras, mas ela não as cumpria. Já desesperada e sem saber o que fazer, comecei a limpar tudo quando ela adormecia. Chegou a uma altura em que estava completamente esgotada e à beira de um esgotamento nervoso.

As discussões lá em casa eram uma constante, até que a decidi expulsar de casa. Quando dei por mim sozinha, reflecti e percebi que possivelmente eu é que não estava bem, que mesmo sem ninguém em casa, passava os dias a fazer limpezas.

Falei com uma tia psicóloga que me reencaminhou para o centro. Aqui consegui controlar e lidar com o meu problema de raíz. Sofria de um transtorno obsessivo compulsivo, que precisava de controlar urgentemente.

De início, queria limpar tudo no centro e tinha ataques de mau feitio sempre que via alguma coisa desarrumada. Confesso que não sei como tiveram paciência para me aturar, mas a verdade é que tinham. Foram todos incansáveis e aos poucos aprendi a relaxar e a ser menos obsessiva e controladora.

Toda a minha vida mudou em apenas seis meses e hoje sei que só agora comecei a ser feliz…

Anónimo

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