Não há uma, sem duas : Villa Ramadas
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Não há uma, sem duas

A cocaína sempre foi a minha droga de escolha. Surgiu na minha vida naturalmente, enquanto estava numa festa de trabalho com amigos, em Londres.

Eu fascinado por tudo, pela cidade, pelo ambiente, pelas pessoas e como me queria integrar bem, decidi aceitar experimentar. Afinal era apenas uma vez sem exemplo…

Só que a situação foi-se repetindo de forma tão natural, como se consumir cocaína fosse uma coisa normal, que qualquer pessoa fazia e o mais estranho, é que era facilmente acessível e todos a partilhavam entre si. Eu comecei a gostar cada vez mais e o corpo já começava a pedir-me de maneira mais regular.

Assim, o que era um consumo semanal, depressa passou a consumo diário. Já totalmente adicto, decidi provar outros tipos de drogas, mas a cocaína era a que mais me satisfazia.

Em menos de três meses, já tinha que a consumir de manhã, antes de ir trabalhar e após o trabalho. Passava os dias sob o efeito da droga e já não conseguia estar de outra forma. Esta situação arrastou-se dois anos, até que no emprego cometi um tremendo erro e fui despedido. Tenho consciência que o erro não teria acontecido se não estivesse drogado.

Então, decidi fazer uma desintoxicação. Já limpo, vim para Portugal, para ter o apoio da família e afastar-me das pessoas e locais que me colocavam em perigo. Não foi fácil, porque não conseguia arranjar emprego e sentia-me totalmente inútil. Acabei por recair, num dia em que fui beber um copo com um amigo de infância. A partir daí, voltei a ficar dependente da cocaína.

Sem dinheiro, comecei a furtar pequenas coisas em casa dos meus pais. Eles alertaram-me, mas eu não liguei e continuei, até que me fizeram um ultimato: ou me curava ou punham-me na rua. Sem saída, entrei no centro. Identifiquei-me de imediato com o tratamento e com as pessoas.

Cumpri o tratamento, mas admito que na primeira vez que vim de break a casa, ainda consumi uma vez às escondidas. Senti-me tão mal por estar a recair, que nunca mais toquei em nenhum tipo de droga.

Se tive força de vontade e consegui terminar com sucesso, foi porque nesta unidade de tratamento aprendi a valorizar-me e a perceber o que é importante na vida.

Há três anos que não consumo e a verdade é que me sinto um abençoado por ter tido oportunidade de apreciar a vida.

Pedro Antunes

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