Recaída à vista : Villa Ramadas
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Recaída à vista

Falar da vida pessoal é uma coisa que me custa bastante, no entanto, quando é para dar um testemunho positivo, penso que por mais que custe, que deve ser dado, nem que seja, porque pode vir a ajudar alguém.

A morte dos meus pais, quando eu tinha apenas 14 anos, marcou a minha vida de forma irreversível. Fui entregue aos cuidados de familiares que viviam no campo e tive que deixar para trás tudo o que me prendia ao passado.

É certo que precisava de sair de casa, onde tudo me lembrava os meus pais, mas ter que ir para tão longe e deixar os meus amigos, foram perdas demais para uma adolescente.

A adaptação a um novo meio foi deveras complicado e depois criar laços com uma família que eu mal conhecia pior. Sentia-me sozinha e sem ter com quem desabafar. As imagens dos meus pais e dos bons momentos que vivi com eles atormentavam-me. Sentia tanto a falta deles… não me conformava com a morte trágica e além disso queria justiça, o condutor que os tinha atirado por uma ravina, tinha que pagar pelo que tinha feito.

Com tudo isto, acabei por me refugiar no álcool. Facilmente tinha acesso a vinho na casa dos meus tios, até porque possuíam uma adega e não conseguiam controlar toda a produção. Na escola era má aluna, não tinha amigos, só queria estar embriagada ou a dormir.

Com 21 anos decidi que era altura de assumir os meus actos e seguir em frente, como tal, fiz um tratamento de três meses. Ainda me aguentei por dois anos, até que um dia me cruzei com aquele que tinha morto os meus pais. Cheia de raiva, não me contive e voltei a embriagar-me. Retomei o vício e a voltar a deambular por casa.

Com 23 anos não passava de uma inútil, que não conseguia fazer as pazes com o passado. Cedo me diagnosticaram vários problemas de saúde, resultantes da minha adição ao álcool. Foi quando acordei para a vida e por auto-iniciativa recorri à ajuda deste centro de tratamento.

Aqui perdoei o passado e fiz projectos para o futuro. Senti-me amada e compreendida como há muito não era. Além de tratar a minha adição às bebidas alcoólicas, fiz ainda terapias para aprender a lidar com a morte dos meus pais. Reencontrei-me, ganhei forças e sorri para o que a vida me reservava.

E acreditem que me reservava muitas coisas boas, mas que sei que só as consegui apreciar porque fiz este tratamento…

Rosa, Espanha

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