Internamento para a Dependência das Compras

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Pedir um terceiro cartão de crédito ou possuir contas desconhecidas da família é susceptível de vaticinar um comportamento de dependência das compras em fase já avançada. Trata-se de um meio para aliviar a tensão, para melhorar o humor, para procurar aceitação através dos bens materiais. Não obstante, esquecer-se das compras ou escondê-las são subterfúgios utilizados pelos adictos para não enfrentar o problema. A compulsividade das compras é, de facto, uma doença grave e progressiva, à semelhança de todas as adições.

Nesta perspectiva, antes do acto de comprar, o indivíduo sente agitação, enquanto realiza a compra reina a insegurança (pois sabe que o que está a fazer é errado) e depois vem a sensação de felicidade (sobretudo nos bens caros), só que imediatamente a seguir é a culpa que se instala, acompanhada de vergonha e outros sentimentos nada agradáveis. Paralelamente, “descendo” à realidade, o adicto percebe que as suas dificuldades continuam todas lá, acrescidas de mais complicações e “decrescidas” de dinheiro. Mesmo assim, não consegue parar. Precisa de ajuda.

O internamento para a dependência das compras coloca um pronto travão nas compras indiscriminadas. O paciente vai tomando, no seio do grupo, consciência da sua patologia e dos danos que causou a si e aos outros, readaptando-se gradualmente à vida em sociedade. Aprende a lidar com a sua ansiedade, o que lhe diminuirá a obsessão por comprar. Será auxiliado na descoberta de comportamentos mais adequados para superar os sentimentos negativos, de que se pretendia manter afastado. Poderá, inclusive, fazer planos para o dinheiro de forma livre, reflectindo sobre o sentido e o valor deste. Deixará de ser assaltado pela necessidade de comprar o que os outros têm para não se sentir diminuído, mas sim igual a eles. Desistirá de tentar comprar amor e poder com prendas caras e sofisticadas. Compreenderá que os enganos não saldam as dívidas.

O acto de comprar origina stress e leva à perda de um dos bens mais preciosos: o tempo, para além de interferir no funcionamento social e laboral. O internamento para a dependência das compras, que inclui uma vertente cognitivo-comportamental, concorre para uma reestruturação cognitiva do paciente, nomeadamente no que diz respeito ao reforço da auto-estima, ao aspecto afectivo e ao trabalho de sentimentos dolorosos, encontrando maneiras saudáveis de satisfazer as próprias necessidades, de aprender a separar quem é do que tem, de reconhecer os impulsos quando eles aparecem e de os tolerar sem agir sobre eles.

No internamento para a dependência das compras, o adicto poderá, com as ferramentas que entretanto vai angariando, desenvolver estratégias de combate às manifestações da sua doença, como por exemplo levar o cônjuge às compras consigo (para que ele dê o seu parecer quanto à necessidade e/ou à oportunidade da compra), comprar qualquer coisa para ele depois de ter comprado para si, pagar com dinheiro (destruindo mesmo os cartões de crédito), fazer uma lista das coisas a comprar (para cumprir religiosamente!), ir ver as montras só quando as lojas estão fechadas, adiar compras sempre que se anuncie uma visita a familiares e amigos, andar ou dedicar-se a algum exercício físico para reprimir o ímpeto da compra...

O internamento para o tratamento da dependência das compras habilitará o paciente a reeducar sentimentos e impulsos, a cultivar a criatividade, a alcançar a serenidade, a encontrar-se como indivíduo e, o mais importante, a aprender a gostar de si, o que eliminará o paradoxo de achar que são as coisas que nos preenchem!

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