Vida sofrida : Villa Ramadas
VillaRamadas

Vida sofrida

Encontro-me a escrever este depoimento a dois dias da saída do meu irmão de VillaRamadas. Apesar de não saber se ele vai ter força para enfrentar a vida lá fora, de uma coisa eu tenho a certeza: ao fim de 25 anos é possível hoje em dia termos uma conversa com o meu irmão como pessoas normais e civilizadas.

Eu tenho 38 anos, e poucas lembranças boas do meu irmão. Foi uma vida de luta de sofrimento, de desespero, em que existiram muitas alturas em que pensámos desistir por não saber mais o que fazer. Vi a minha mãe falecer, sem ver o meu irmão curado dessa droga.
Para mim, tudo começou há 25 anos quando o nosso pai faleceu. O meu irmão nunca aceitou isso e a partir daí a vida dele e a nossa tornou-se num inferno, num pesadelo. Dias, noites, semanas, meses, anos sempre com a esperança que um dia ele ia conseguir, sempre com a sensação que tudo o que fazíamos não era suficiente.
Sentiamo-nos impotentes, faltavam-nos as forças, mas nunca desistimos. Eu as minhas irmãs, tentávamos sempre alguma coisa, porque víamos a vida dele e a nossa a ser destruída. Contudo, era sempre tudo em vão.

Agora, independentemente de como for daqui para frente, já valeu a pena estes 7 meses. Eu já não me lembrava como o meu irmão era e por isso OBRIGADA VillaRammadas e OBRIGADA Marisa, a minha sobrinha do coração, que teve a brilhante ideia de pedir ajuda.

Com os sinceros cumprimentos da fria Alemanha. Obrigado, e acreditem.

Mila Ferreira De Sousa

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