Drogas pesadas : Villa Ramadas
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Drogas pesadas

Ter um filho foi sempre um dos meus sonhos. Depois de quatro anos de casamento, lá engravidei. O Pedro nasceu e veio dar mais alegria à minha vida.

Tentei ser uma mãe presente, mas nem sempre era possível devido ao meu emprego. O meu marido também foi um pai ausente, muito mais quando nos divorciámos. Assim, o Pedro acabou por estar um pouco entregue a si. Hoje tenho perfeita noção do quanto fui negligente com a educação dele…

Com apenas 14 anos começou a fumar charros de haxixe e dai até começar a consumir drogas pesadas foi um passo. Eu como passava parte do tempo a trabalhar nem me apercebia de tal situação. Todos os dias deixava-lhe dinheiro para ele comer, mas estranhei o facto de estar extremamente magro. Além disso, andava sempre com umas enormes olheiras.

Pouco depois de ter completado 18 anos, começaram a desaparecer coisas em casa, cheguei a confrontá-lo, mas acabou por meter as culpas na empregada, que acabou por ser despedida sem culpa. Só que mesmo assim as coisas iam desaparecendo. Confrontei-o uma vez mais, mas negou novamente.

Um dia decidi entrar no quarto dele, durante a sua ausência. Nem queria acreditar no que estava a ver. Nas gavetas da roupa interior tinha sacos com haxixe e outros com cocaína. Incrédula, liguei para o meu ex-marido. Ficámos desesperados. Falámos com o Pedro, mas ele continuou a negar o vício do haxixe e da cocaína, alegando que estava a guardar os pacotes para um amigo. Depois de acesa discussão deitou-se e no dia seguinte já não estava lá em casa.

Contactámos vários amigos, fomos à escola, mas nenhum sinal do meu querido filho. Senti-me culpada por me ter zangado com ele. Esteve desaparecido um mês, até que um dia me bateu à porta completamente descontrolado e a pedir ajuda. Cuidei dele e no dia seguinte meti-o no carro em direcção ao centro de tratamento.

Não sei o que se passou nem por onde andou durante o mês que esteve desaparecido, mas sinceramente acho que prefiro nem saber. Depois de oito meses no centro de tratamento, o meu filhinho estava de volta. Voltei a ver um brilho no olhar. Já se passaram três anos, mas nunca vou esquecer este triste episódio da nossa vida.

O meu Pedro reconstruíu a vida, voltou a estudar, tem uma namorada que adora e sonha ser Psicólogo, talvez por sentir que também ele pode ajudar outras pessoas que possam sofrer de adições.

O certo é que este tratamento "tocou-o" e tornou-o uma pessoa mais "humana".

M.ª João, Setúbal

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