Raiva incontrolável

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Anónimo

A vida sempre me ensinou que devíamos ser pessoas responsáveis, trabalhadoras, empenhadas, dinâmicas, com valores, pois um dia acabaríamos por ser reconhecidos. Sempre segui estas máximas ao longo da vida e ia-me safando.

Formei-me e fui trabalhar. Já tinha cinco anos de experiência, mas aqui a proposta era mais aliciante e uma óptima oportunidade de evoluir profissionalmente. Não conhecia nenhum dos meus colegas, mas depressa fiz amizade com todos. Como éramos poucos havia muita união.

O desafio era aliciante, o que melhorava as coisas. Sempre fui uma pessoa pacata e ponderada e assim o fui, durante os três primeiros anos, até que subitamente o coordenador de equipa foi substituído por uma pessoa arrogante. Tive logo uma má impressão e depressa percebi que me iria dar problemas. Como eu não alinhava em lobbies, fiquei logo de parte. Soube que esse chefe andava a boicotar o meu trabalho, nas minhas costas, e como tal, confrontei-o de forma pacífica. Tivemos uma discussão sem igual e a partir daí tornei-me uma pessoa pior.

Hoje reconheço isso, porque depois desse episódio, perdi toda a ingenuidade que me caracterizava e passei a falar com as pessoas de forma agressiva. Ninguém me reconhecia e as pessoas chegavam mesmo a temer-me. Passado algum tempo mudei de emprego e aí era implacável. Não conseguia confiar em ninguém e tinha constantes ataques de raiva, ficando completamente transformada. Um dia tive um ataque de tal forma forte, que acabei por me olhar ao espelho e não me consegui reconhecer. Tinha muita raiva dentro de mim e estava a perder parte da minha essência. Tinha que fazer algo.

Depois de alguma pesquisa, este centro surgiu como a ajuda mais indicada. Após me informar, entrei em tratamento e senti logo que aqui seria compreendida e que ainda havia esperança. Foram seis meses de muita reflexão, mas também de muita aprendizagem. Aprendi a ser equilibrada e a lidar com as adversidades da vida. Confesso que em alguns momentos tive vontade de desistir, mas sabia que se o fizesse, dificilmente voltaria a ser a mesma de antigamente, aquela rapariga que os amigos, colegas e família adoravam.

Só sei que toda a minha visão de vida mudou e que hoje sou genuinamente feliz e tenho noção que sem este tratamento, nada disto seria possível. Adoro-me e aceito-me.

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