Morte fria

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Anónimo

Naquela tarde de Inverno em que o meu marido ia a conduzir a 180 km/h, eu gritava com ele para reduzir a velocidade.

Naquela manhã tínhamos tido uma discussão, embora a nossa vida nos últimos 10 anos de casamento tenha aparentado ser sempre tão perfeita - “Ainda nos matas a todos!” - disse eu. Ele zangado, até parecia que acelerava mais e naquela curva estreita em que o carro derrapou…

Entrei em estado de choque quando no hospital a enfermeira me disse que a minha filha ainda criança tinha morrido. Foi o início do meu maior tormento. Passei a culpabilizar o meu marido. Não me libertava da roupa, do quarto, da foto da minha princesa. Refugiei-me no álcool, comprimidos, compras e nada aliviava a minha dor.

Estou divorciada, perdi a minha filha para sempre, mas consegui salvar-me a mim. Estes últimos anos em que tenho sido acompanhada no meu processo de luto, têm sido intensos, dolorosos, mas pouco a pouco sinto-me com mais esperança para encarar o meu dia a dia.

Todos os dias tenho que trabalhar para me perdoar. Todos os dias tenho que aceitar que não posso mudar o passado.

Deixei de sobreviver e pouco a pouco estou a começar a viver.

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