Trabalhar 24 horas

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Anónimo

Sou um rapaz solteiro de 35 anos que está há um ano em recuperação da dependência de trabalho. Isto pode parecer uma doença moderna, mas a verdade é que cada vez mais, existem jovens a padecer desta doença, só que poucos são os que têm coragem para o assumir.

Desde cedo que os meus pais me ensinaram que era com os estudos que poderia ter um bom futuro. Só assim conseguiria um bom emprego e ser reconhecido socialmente. O que não me ensinaram é que reconhecimento social não é nada, se para isso tivermos de abdicar de outras coisas importantes, como por exemplo, ter uma relação amorosa.

Só quando perdi aquele que considero ter sido o meu grande amor é que percebi que era hora de mudar de vida, repensar prioridades e perceber o que me fazia feliz de verdade.

Porém, quando fiz esta reflexão, já era tarde demais e já não consegui recuperar a relação. Formei-me com distinção. Como sempre fui bom aluno, consegui estagiar numa das melhores empresas de advocacia do país e depressa fui subindo, aos 30 anos já era sócio. A minha família andava orgulhosa, mas quem não estava muito satisfeita com esta situação era a minha namorada (começamos a namorar quando eu tinha 20 anos).

Ela sempre me apoiou, até que as brigas começaram. Ela alegava que eu me estava a tornar dependente do trabalho, sem tempo para a relação e que não queria a seu lado uma pessoa assim. Conseguia sempre acalmá-la e não tentava fazer nada para mudar a situação. Chegava a trabalhar 20 horas por dia, vindo apenas a casa trocar de roupa e tomar um duche rápido.

Depois tinha viagens constantes para fora do país. O tempo juntos era nulo e o sonho de casar e ter filhos estava cada vez mais adiado. Como era tão raro estarmos juntos, quando tínhamos tempo, parecíamos dois estranhos…

Farta de toda esta situação saiu de casa e pediu para me tratar. Foi um choque quando cheguei a casa e não estava lá nada dela. Percebi que precisava de ajuda e foi assim que este centro de tratamento me ajudou. Fiz uma pausa no trabalho e no regresso impus limites. Será que vale perder um amor por reconhecimento profissional? Na altura não entendi, mas hoje vejo que não, principalmente quando após um dia de trabalho regresso à minha casa vazia.

Este centro foi a minha salvação e acredito que com as ferramentas que me deram, ainda vou muito a tempo de ser feliz…

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