Novo despertar...

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Anónimo

Estava em recuperação à 9 anos quando entrei nesta casa, que guardo no meu coração com muito carinho e gratidão.

Estava novamente, com a minha vida «virada do avesso», sem esperança, só, desesperada e muito assustada. Os 12 passos já não me estavam a fazer qualquer sentido. Bebia cerveja sem álcool, ía às reuniões e só tirava inventário.

Não conseguia estar quieta, sentia muita raiva de todos, até que acabei fechada em casa permanentemente a dormir ou a chorar.

Lembro-me que por volta dos 6/7 anos em recuperação «encostei-me à sombra da bananeira» e deixei-me levar pela crença errada de que já podia «controlar» a minha vida e os meus sentimentos. Lentamente (nos últimos3 anos) sob uma série de «pretextos falsos» que ia dando a mim própria (que encarava como verdades absolutas) fui-me fechando e afastando de mim e dos outros, até deixar de ver a luz ao fundo do túnel.

Um dia uma das minhas grandes amigas disse-me que se calhar o melhor era fazer uma reciclagem num tratamento e sugeriu-me VillaRamadas por ser um Centro menos rígido e com a capacidade de receber todo o tipo de pessoas. É claro que duvidei.

Naquele momento pensei em tudo o que me impedia de ir... eu tinha entrado em recuperação pelas salas e tinha-me aguentado e agora é que vou para tratamento??? E os meus filhos…e etc??? A verdade é que nada estava a funcionar, os meus filhos estavam assustados e ter ido para a Villa foi a melhor decisão que tomei… precisava de parar ou ia usar.

Lembro-me, como se fosse ontem, quando lá entrei, tremia e chorava desalmadamente, sentia medo e só pensava: «onde é que me estou a meter?»... Pensei isto durante os primeiros 3 dias, mas deixei-me ficar.

Confesso que no início não foi fácil compreender como é que todas aquelas pessoas que tinham deixado de usar recentemente me iam ajudar... Pensava eu (erradamente) que não percebiam nada de recuperação… Demorei quase 2 meses a perceber que eu é que precisava de “baixar os braços”, ser humilde e mudar.

O “milagre” deu-se quando deixei todas aquelas pessoas entrar no meu coração e me ajudarem somente com o seu carinho, protecção, sabedoria e assertividade, era só o que estava a precisar! O “staff” desta casa teve imensa paciência comigo. Toda a minha raiva foi direccionada para eles, só os ressentia (pois contrariavam-me constantemente) e mesmo assim não desistiram, fizeram um trabalho maravilhoso baseado na responsabilização, afecto e firmeza.

Tenho por cada um deles a maior admiração, gratidão e amor (nem consigo expressar por palavras). Saí de lá 4 meses depois, cheia de esperança, amor e fé… Aprendi a lição de que às vezes temos de parar, deixar os outros fazer por nós, para podermos continuar…

Um beijo no coração de todos os que me “pegaram ao colo”!

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