Ira

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A raiva é uma emoção extremamente poderosa, que pode decorrer de um excessivo aborrecimento, de uma irritação suprema, da indignação ou da hostilidade ante um grupo, uma outra pessoa ou um acontecimento adverso.

A raiva é tão simplesmente um sentimento que nos indica a necessidade de agir ou de reagir diante de uma situação.

O problema está em alimentá-la e na incapacidade de a exprimir de uma forma adequada ou controlada.

Quem tem um problema com a raiva, utiliza-a como um meio de fuga à incapacidade que possui para dar volta a vicissitudes embaraçosas, como se de um anestésico se tratasse.

Um indivíduo em raiva está sempre descontente com tudo e todos. No entanto, ao invés de tentar alterar a ordem das coisas, rebela-se e reage: ou passivamente, colocando-se no papel de vítima das circunstâncias numa clara atitude de autopiedade (raiva passiva), ou arremessando a sua agressividade contra tudo o que se mova e não mova em seu redor (raiva ativa).

Assim sendo, a raiva e a agressividade assumem a forma de palavras, gestos, comportamentos e atitudes que podem colocar em risco o sujeito que as personifica ou quem dele se aproxima. Poderá chegar até o momento em que a raiva e a agressividade assumem uma importância tal em determinado sujeito que passam a interferir no bom funcionamento da sua vida pessoal, social ou laboral. Neste momento, poderemos estar perante uma perturbação que necessita de intervenção psicológica.

Quando a reação agressiva assume uma proporção excessiva e desmedida, em comparação com o estímulo que a desencadeou, podemos estar perante uma Perturbação Explosiva Intermitente, que se caracteriza pela exteriorização da raiva na forma de comportamentos de agressividade desmesurada, tratando-se esta de uma perturbação de humor.

Nestes momentos, superabunda a escravidão das certezas e a reabilitação da esperança fica comprometida pelas declarações de impossibilidade de fazer o que quer que seja, o que se afigura muito confortável, porque permite à pessoa enraivecida protestar quase inconsequentemente.

A raiva pode então assumir-se contra os demais, sob a forma de agressão física ou verbal (intransigência, irritabilidade, intolerância, ironia), ou contra o próprio (fechando-se nas suas razões, remoendo uma e outra vez os seus argumentos, optando pela autocomiseração que desculpa tudo, deixando a depressão tomar conta do leme da sua vida).

De facto, a raiva e a hostilidade não resolvidas produzem efeitos devastadores numa pessoa, principalmente na sua autoestima podendo até provocar uma depressão. Mais ainda, verificam-se como consequências destes sentimentos as dores de cabeça, o aumento da tensão arterial, as insónias e problemas de estômago.

Uma pessoa com qualquer tipo de perturbação associada a sentimentos de raiva irá usá-lo negativamente como “combustível” para conseguir dar resposta às solicitações de que é alvo, chegando a um ponto em que já nada consegue fazer fora desta realidade.

Aqui, urge procurar ajuda, porque a raiva não recua; pelo contrário, é suscetível de crescer até uma explosão emocional de proporções incalculáveis, com prejuízos pessoais e profissionais incomensuráveis.

Quando não expressada abertamente, a raiva é reprimida e cresce dentro de quem a alberga.

Há sintomas físicos associados a esse desenvolvimento podendo o indivíduo recorrer, não raras vezes, à comida ou ao consumo de substâncias para aplacar um sentimento que aprendeu a negar que existe dentro de si.

Embora “mastigada” ou inebriada, essa raiva não desaparece, podendo conduzir a comportamentos destrutivos direcionados para o próprio e para quem o rodeia.

Na verdade, o problema em si não é a Raiva, mas sim o que se faz (como se lida) com esta emoção.

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