Dependência do Trabalho

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O trabalho foi tendo, ao longo dos tempos e da História, diferentes conotações e formas de ser encarado.

Inicialmente, era tido como coisa de gente pobre, sendo assim mal visto.

Depois, passou a ser sinónimo de subsistência e, mais tarde, foi associado a liberdade, independência e meio de integração na sociedade.

Atualmente, o trabalho é considerado um “fazedor” de dinheiro para comprar, essencialmente, bens de consumo.

A realização pessoal concretiza-se, em grande medida, através do trabalho, que compõe a base da identidade pessoal.

Perde-se saúde e vida ao trabalhar desmesuradamente para ganhar dinheiro e, depois, perde-se o dinheiro para tentar recuperar essa saúde e essa vida perdidas o que, infelizmente, nem sempre é possível.

A dependência do trabalho (o workaholism) integra o conjunto das novas adições comportamentais e designa a dependência do trabalho ou a adição ao trabalho.

Trata-se de um distúrbio obsessivo-compulsivo que se revela mediante a autoimposição de exigentes metas a atingir, sacrifício da vida pessoal em nome do emprego e disponibilidade irrestrita para o trabalho, com recusa por outras quaisquer atividades (familiares, sociais, lazer).

Esta necessidade exacerbada de trabalhar interfere, naturalmente, com a saúde, a felicidade e as relações interpessoais do indivíduo.

Na sua génese, podem estar sentimentos de ansiedade, vazio e baixa autoestima, que são precisos aliviar.

Assim, há que fazer muito para sentir que se vale muito.

A dependência do trabalho aparece, regra geral, “bem vestida”, o que pode despistar, inicialmente, o diagnóstico.

Não obstante, e apesar de não pressupor o consumo de substâncias alteradoras, pode conduzir à mesma autodestruição física, psíquica e social a que as outras adições conduzem.

Esta é, contudo, uma adição aceite e, muitas vezes, desejada até pelas empresas.

O prestígio, o sucesso, o poder e o dinheiro dão força a esta doença porque, afinal de contas, é bom ser tido(a) como uma pessoa trabalhadora...

Ser enérgico e dinâmico é, todavia, diferente de se ser um trabalhador compulsivo.

Enquanto que quem se enquadra na primeira descrição consegue estabelecer limites, apesar da feroz agressividade competitiva e do querer fazer tudo bem e depressa, os segundos perdem o controlo sobre si e sobre o trabalho, não se regem por qualquer regra e são incapazes de aceitar as próprias limitações.

Sentem um impulso incontrolável de fazer mais e mais, sem prestar atenção às consequências.

Adormecem e acordam com o trabalho, levam-no de férias e de fim de semana, porque, sem ele, não sabem quem são.

Aos poucos e poucos, tudo passa a ser trabalho.

Para se ser dependente do trabalho não é necessário trabalhar durante muitas horas ou até muito tarde; basta apenas que se adote um novo estilo de vida em que se estabeleça como prioridade agir continuamente para alcançar objetivos laborais muitas vezes irrealistas, no que concerne os recursos e o tempo que se detém.

A obsessão pelo trabalho é também, para os dependentes, uma forma de resolver contrariedades desta mesma existência.

A dependência do trabalho apresenta os mesmos perfis psiquiátricos das dependências de substâncias e o fundo da doença é rigorosamente idêntico.

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