Tratamento do Transtorno Obsessivo-Compulsivo

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O obsessivo-compulsivo tem absoluta noção de que os rituais que executa não se enquadram numa matriz de comportamentos vulgares e aceites, mas não é capaz de os refrear.

Nesta ambivalência, acaba por ter uma vida dupla, o que o frustra e esgota completamente.

Quando alguém lhe diz que se quisesse podia parar, ele poderia retrucar com legitimidade que, por exemplo, “aos utilizadores de cadeiras de rodas, bastaria que quisessem levantar-se para começarem a andar”…

Na prática, e respeitando as devidas diferenças e a distinta natureza das “incapacidades”, num e noutro casos, a força limitadora é idêntica.

Mudar estes comportamentos é o primeiro passo para modificar os pensamentos que lhes estão na origem e os sentimentos que daí advêm e que nunca são positivos, encetando assim o tratamento da Perturbação Obsessivo-Compulsiva.

Tomar consciência de si próprio, da sua adição, do sofrimento causado à família, do comprometimento das relações afetivas provocado pela doença, do prejuízo espiritual e económico, da estagnação da sua vida ou, pior, da decadência desta e do seu real perigar, podem constituir para o sujeito pontos de partida para um sincero pedido de ajuda.

Só quando ele quer realmente ser ajudado é que é sensato intervir.

Por mais paradoxal que possa parecer, o “adicto” a rituais tem o privilégio de possuir na sua adição ferramentas que poderão ser utilizadas para a sua libertação desses rituais; trata-se de tirar vantagem de características da própria doença para a mitigar.

Paralelamente, após o tratamento, o sujeito ficará com conhecimentos que lhe concederão sabedoria para usufruir dessas singularidades na generalidade das suas vivências.

A atenção inusitada a todos os pormenores é uma destas particularidades.

Aprender a valorizar os aspetos favoráveis da doença é um modo de «virar o feitiço contra o feiticeiro» e não se deixar voltar a “enfeitiçar”.

A dessensibilização, que é uma via muito utilizada no tratamento da Perturbação Obsessivo-Compulsiva, consiste em ir reduzindo gradualmente os rituais do paciente, quebrando-lhe os hábitos fortes que ele converteu em padrões, com o cuidado de os substituir por outros mais adequados para ele e para a sua vida.

De onde se tira algo negativo tem de se colocar o seu oposto, sob pena de o paciente tentar preencher esse vazio com as condutas antigas.

Neste procedimento, há que atender aos tempos e a capacidade de resposta de cada indivíduo e a paciência impõe-se como um dos mais importantes expedientes terapêuticos.

A perseverança é, porém, o segredo do sucesso.

Um sorriso de encorajamento, um olhar de aprovação ou um abraço sentido de reconhecimento do esforço são passíveis de operar verdadeiros milagres no paciente que, aos poucos e poucos, se vai tornando mais humano, deixando a sua vida de ser uma mera questão de sobrevivência, de dor e desespero.

Ao empreender o caminho da recuperação, o paciente em tratamento para esta perturbação chegará à conclusão de que... Embora difícil, a recuperação é possível.

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